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domingo, 18 de maio de 2014

Exposição - Os Reis africanos

"Espírito da África - Os Reis Africanos" e "Objetos simbólicos - Casa do Patrimônio de Porto Novo, Benin"


Abertura em 22 de maio de 2014


O Museu Afro Brasil celebrará o dia Internacional
da África com duas novas exposições.
No ano em que comemora seus dez anos de fundação, o Museu Afro Brasil, Instituição da Secretaria de Estado da Cultura, celebrará também o Dia Internacional da África com duas novas exposições: "Objetos simbólicos - Casa do Patrimônio de Porto Novo, Benin" e "Espírito da África - Os Reis Africanos". As duas mostras estreiam no dia 22 de maio, às 19h. Ambas permanecerão em cartaz até 3 de agosto de 2014."São muitos os reinos descobertos nesta expansão dos portugueses pelas ilhas atlânticas e do Continente 
Africano. Com uma organização política, social e religiosa, esses soberanos negociaram e trocaram correspondências com os reis portugueses e até se batizaram para receber, não só a bênção cristã, mas a proteção de suas majestades", conta o diretor-curador do Museu Afro Brasil, Emanoel Araujo.
A exposição "Espírito da África – Os Reis Africanos", do fotógrafo Alfred Weidinger, traz retratos de reis e chefes contemporâneos de diversas partes do continente africano e oferece um diálogo com obras do acervo do Museu Afro Brasil.
Estatuetas dos Camarões cobertas por miçangas, presentes na exposição de longa duração do museu, podem ser relacionadas às insígnias de poder (do mesmo material) que acompanham o rei de Babungo, dos Camarões, fotografado por Weidinger. O guarda-sol multicolorido dos povos fon do Benin, com símbolos de poder bordados, também pode ser visto num retrato do rei de Dassa, do mesmo país.
"A exposição do fotógrafo austríaco Alfred Weidinger tem um grande significado para a história e a memória 
ancestral, já que esses líderes tribais não têm mais poder político, mas na sua essência decorativa são conselheiros, lembrando a memória de uma África perversamente desfeita pelas novas divisões territoriais, que uniram diferentes etnias", afirma o curador Emanoel Araujo.
Por sua vez, a exposição "Objetos simbólicos - Casa do Patrimônio de Porto Novo, Benin" reúne moedas africanas, objetos litúrgicos e roupas de Obás (título honorífico das realezas iorubanas), da coleção da Casa do Patrimônio de Porto Novo, no Benin. Além de apresentar uma faceta da cultura material da África pouco conhecida do grande público, revela uma sofisticada rede de trocas comerciais entre diferentes povos africanos e um conhecimento técnico da metalurgia desde antiguidade.
De variados tamanhos, formas e materiais, como o bronze, o cobre e o ferro, as moedas africanas, além de terem sido usadas para pagamentos e trocas, eram objetos de prestígio e símbolos de um reconhecimento social de seu portador.

Exposições: 
"Espírito da África - Os Reis Africanos" 
"Objetos simbólicos - Casa do Patrimônio de Porto Novo, Benin"

Abertura em 22 de maio, às 19h.
Encerramento: 3 de agosto.

Museu Afro Brasil - Organização Social de Cultura
Av. Pedro Álvares Cabral, s/n
Parque Ibirapuera - Portão 10
São Paulo / SP - 04094 050
Fone: 55 11 3320-8900
Entrada gratuita
www.museuafrobrasil.org.br
O funcionamento do museu é de terça-feira a domingo, das 10 às 17hs, 
Com permanência até às 18hs.
Na última quinta-feira de cada mês, o horário de funcionamento será estendido até às 21hs, para atendimento noturno ao público visitante. 

Informações para a imprensa – Museu Afro Brasil
Gabriel Cruz – (11) 3320-8940 – gabriel.cruz @museuafrobrasil.org.br 
Flavio Costa - flavio@museuafrobrasil.org.br


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Casa das Áfricas: Amostra Sembene.

29ª MOSTRA DE CINEMA
"Pai do cinema africano", com 40 filmes no currículo, crê que sua função é refletir a realidade de seu país e falar a seu povo
Sembene promove sua "militância" social
cartaz sinopse Sembene


O "pai do cinema africano" foi premiado em Cannes no ano passado. Mas para o senegalês Ousmane Sembene, 82, o que importa é falar à sociedade em evolução. Em 40 anos de filmes sobre a sociedade africana, jamais sofreu de escassez de alvos para a sátira, que é sua marca registrada. Mas sempre reservou especial ridículo à elite endinheirada. Em "Xala" (75), ele os mostra lavando seus Mercedes com água mineral.
Com isso em mente, não é difícil perceber a atração do cenário que ele escolheu para viver. Seu escritório fica no primeiro andar de um caótico edifício no centro de Dacar. Vendedores ambulantes oferecem frutas secas e biscoitos aos transeuntes, o tráfego não anda, buzinas ecoam. O barulho e a fumaça chegam a nós pela janela, aberta para aliviar o calor. O observador sente que Sembene, um homem que vive o cinema, dificilmente poderia ter criado um cenário mais deliberado para retratar um homem imerso na África.
Mas o estilo de Sembene jamais foi introspectivo. Sua característica dominante é uma independência tão teimosa quanto beligerante. Ex-escritor, criado no sul do Senegal, escolheu o cinema como maneira de falar a seus compatriotas: "Crio para falar a meu povo, a meu país. A prioridade é que meu povo me compreenda".
Ele talvez não se incomode com a recepção que seus filmes têm no mundo ocidental, mas está convencido de que seu trabalho tem um papel no desenvolvimento africano. "A África precisa ver seu próprio reflexo. Uma sociedade progride fazendo perguntas a si mesma. Por isso quero ser um artista que questiona seu povo."
Levando em conta que esse questionamento o fez retratar os líderes africanos de forma pouco lisonjeira, não surpreende que ele tenha encontrado problemas para exibir seu trabalho na África. "Xala" sofreu 12 cortes antes de ser exibido em Dacar; "Ceddo" ficou proibido por muitos anos.
A escassez de salas na África Ocidental também causa dificuldades de acesso a seu trabalho, por isso Sembene se encarrega pessoalmente de levar o cinema ao público. Organiza turnês com caminhões transportando seus filmes a aldeias distantes e discussões após cada exibição. "Para mim, o cinema não gira em torno dos negócios. O que realmente importa é a militância."
E também o senso de comunidade. O entusiasmo de Sembene por exibições ao ar livre e discussões públicas, em lugar do anonimato da experiência cinematográfica convencional, reflete a importância de conseguir que a platéia se envolva com seu trabalho. Isso levou críticos a relacionar seu cinema à tradição oral africana, sob a qual aldeias se reúnem para ver narrativas das histórias locais em espetáculos públicos.
Mas, quando essa interpretação é sugerida a ele, Sembene recebe a idéia com exasperação. "Essa forma de narrar teve sua era histórica", contesta. "É como os menestréis, na Inglaterra. Os africanos não devem se sentir limitados por isso, dizendo que somos assim. A África do passado não retornará."
Se os filmes de Sembene são "africanos", portanto, é porque refletem a evolução da identidade do continente, e não porque se demoram na exibição de uma pitoresca nostalgia cultural. "Ou a África adota sua era, seu tempo, ou não. Não existe alternativa", diz, protestando contra as teorias que seu trabalho suscita entre os críticos ocidentais.
Tendo exposto sua posição, ele se torna mais expansivo ao discorrer sobre as contradições que a sociedade africana enfrenta e que se refletem em seus filmes. Fala do conflito de valores entre os políticos senegaleses educados no Ocidente e os líderes espirituais nacionais, cuja educação é árabe, e do esforço de cada uma dessas facções para conduzir o país a um determinado futuro. Fala do impacto das estações privadas de rádio que hoje existem em toda a África Ocidental, em comunicação com as imensas audiências usando idiomas africanos e causando ansiedade à elite francófona. E fala também da influência dos filmes e novelas ocidentais, uma forma de colonialismo cultural que distorce as prioridades africanas. "Todos esses conflitos conduzem a África a um momento de grande responsabilidade. É uma encruzilhada, um momento de escolha entre determinados valores. Mas, como artista, meu problema é ver essas contradições e expô-las à minha sociedade."

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Euwá-Dandaras: a arte negra que vem do sul


O Brasil é um país de muitas cores e diversas culturas. Mas quando se fala em cultura negra, todos os olhares se voltam à região do nordeste brasileiro. O "Brasil Negro" é mais que isto. Existe uma massa negra, sulista, que dissemina a cultura afro-brasileira para todos os cantos.
A história negra no Rio Grande do Sul começa, massivamente, em 1780, com o desenvolvimento das chamadas charqueadas. Nesta época os negros já representavam 29% da população total do estado, chegando em 1822 a representarem 50% da população gaúcha.
No Rio Grande do Sul há inúmeros clubes e museus sociais negros que levam música, capoeira, percussão, exposições de arte e espetáculos de dança a quem desejar saber um pouco mais desta linda e rica cultura.
O Museu Comunitário Treze de Maio, criado em 1903, Patrimônio Histórico Municipal de Santa Maria (RS) e Patrimônio Histórico e Cultural do RS, é sede da Cia. de Dança Afro Euwá-Dandaras.
A Cia. de Dança Afro Euwá-Dandaras, que no dialeto africano Iorubá significa "Mulheres Guerreiras", possui uma trajetória de 15 anos e trabalha em prol da cultura afro-brasileira.
É um grupo de dança reconhecido estadualmente que batalha para que a dança e a percussão afro-brasileiras sejam representativas na luta do movimento social negro, mostrando a grande importância social que o povo negro tem nesta região do país.
Atualmente a companhia de dança apresenta um espetáculo com duas coreografias, Ojú Ewá e Bambara.
Segundo Marta Íris Camargo Messias da Silveira, coordenadora e coreógrafa da Cia. de Dança Euwá-Dandaras, "a coreografia Ojú Ewá tem a intenção de demonstrar a força da luta da etnia afro, com seus movimentos fortes e marcantes, resgatando a nossa africanidade, através de seu figurino. A coreografia também simboliza a alegria de dançar, presente em nossa cultura e a satisfação de nos aproximar da matriz africana."
Ainda segundo Messias, "a coreografia Bambara, faz uma alusão à tribo Bambara da Costa do Marfim na África. Traz instrumentos africanos como o djambè e acessórios como o escudo e a lança, tão utilizados por nossos ancestrais africanos em suas lutas e festas tribais."
As Dandaras, como a companhia é conhecida popularmente, são engajadas em seu compromisso de levar a cultura afro-brasileira para todo o estado e também fora dele. Com a agenda cheia de eventos durante o ano todo, conciliam dança, trabalho e estudo.
Segundo Karen Tolentino, bailarina da companhia, "a Cia de Dança Afro Euwá-Dandaras não é só um grupo de dança afro-brasileira, mas primeiramente um ambiente que me fez descobrir negra, valorizar a minha cor e querer dinamizar a cultura afro-brasileira. Sinto-me totalmente à vontade nesta Cia de Dança, na qual fiz amigos para a vida toda, e também a que me deu oportunidade para florescer a minha corporeidade. Dançar é nada mais do que transmitir emoções, ideias, percepções, dançar é expandir, é ser feliz!"

Reportagem retirada do site Yahoo notícias
consultado em 12/10/2012.

sábado, 26 de maio de 2012

Exposição celebra a beleza de formas voluptuosas de mulheres africanas.



Uma exposição em Abidjan, na Costa do Marfim, celebra as formas voluptuosas de mulheres africanas.
"Eu queria lutar por essas mulheres que foram criticadas e até feitas prisioneiras da ideia de que não eram bonitas", disse o pintor local Augustin Kassi.
Kassi tem um estilo inconfundível e é considerado um dos mais importantes artistas contemporâneos da Costa do Marfim.
"Decidi tomar uma posição e dizer: 'Não, você é linda - Deus a fez assim. Tome cuidado com a alimentação, faça um pouco de esporte, e nós te amamos'. Eu amo essas mulheres", disse Kassi à BBC.
Axelle Osombo, uma das visitantes da exposição, disse: "Eu acho original, porque estamos acostumados a ver pinturas de paisagens e mulheres magras e elas (as obras) mostram o valor das mulheres maiores. Eu gostei muito, especialmente porque sou grande e bela."
Kassi diz que decidiu pintar mulheres "grandes" após presenciar uma discussão em uma viagem de Abidjan a Bingerville em uma espécie de van, conhecida como "gbaka".
Uma mulher grande entrou na gbaka e o cobrador pediu que ela pagasse por duas passagens, porque estava ocupando muito espaço, o que causou uma grande discussão.
O artista diz que a cultura tradicional da Costa do Marfim e de Gana valoriza as mulheres grandes. Durante três meses após o parto, as mulheres têm de ficar de resguardo. Depois disso, espera-se que pareçam saudáveis e bem alimentadas, sinal de que o marido cuidou bem delas.
"São bonitas e representam as verdadeiras mulheres africanas", disse outra visitante da exposição, Awa Toure. "Na África, quando você tem um ou dois filhos, você toma novas formas e é isso que o pintor mostra em seu trabalho."
A exposição de Kassi faz parte da Bienal Internacional de Arte Naif em Abidjan, que está em sua quarta edição e traz artistas de mais de dez países africanos.
A escola de arte naif vem ganhando espaço e se caracteriza pelo estilo propositadamente simples, com cores fortes e, frequentemente, uma perspectiva distorcida.
"Artistas naif costumam pintar animais, plantas e pessoas vivendo em harmonia. Eles são, de alguma forma, ecologistas, amam o que Deus criou e protegem a ordem criada", diz Kassi.
O festival de arte vai até o dia 20 de maio, com exposições em diversas galerias de Abidjan.