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domingo, 1 de junho de 2014

Joaquim Barbosa: Herói Negro.

Quando criei este blog, ele tinha como objetivo contar a  nova história da África, não aquela contada por historiadores europeus ou mulçumanos, mas sim, por historiadores africanos.

Se de um lado, a história africana começa ser contada a partir do século XX, com movimentos rompendo todas as barreiras do preconceito, do racismo, e de todos os tipos de humilhação ao qual o continente foi exposto. Do outro, o Brasil também procura encontrar a sua história, não aquela criada por Von Martius, e construída por Varnhagem, pois ambos valorizaram muito mais a história vindo de fora.

Quanto mais os historiadores africanos buscavam em sua própria história os motivos que levaram a África a ser um continente singular na história do mundo, mas heróis vão surgindo, alguns são grandes guerreiros, outros chefes de Estados, mas  também tem intelectuais que usaram sua inteligência para ajudar ao continente a romper com seus grilhões, podemos citar, como exemplo: Nelson Mandela, Kuame Nkrumah, Jomo Kenyatta, Hailé Selassié, Samora Machel, Mario Pinto de Andrade, Almicar Cabral, etc. São vários heróis que hoje fazem parte da história da África.

E aqui no Brasil? Temos heróis negros? Sim! existem vários, porém o mais lembrado é sem sombra de duvida Zumbi. Nem seu tio Ganga Zumba foi tão retratado. Não podemos esquecer que nosso país tem uma carência enorme de heróis, mesmo brancos.



Contudo, no inicio do século XXI, surgiu um nome que com certeza entrará para a nossa história, Joaquim Benedito Barbosa Gomes, um menino negro, pobre que nasceu no sul de Minas, que estudou em escola pública e não vem de família de classe média.

Joaquim Barbosa foi o primeiro ministro negro da história do STF, foi responsável por tentar trazer a transparência à justiça brasileira, tão em baixa nas últimas décadas.  Foi o Ministro que teve coragem de julgar e condenar os políticos brasileiros que foram acusados de corrupção. Teve embates épicos com o Min. Ricardo Lewandowski durante o julgamento e lutou até o fim pela condenação dos envolvido no escândalo. 

Por tudo que vez ao país, Joaquim Barbosa torna-se hoje um dos heróis negros brasileiros, pois sua história é um exemplo, ele mostrou que não é a cor da pele que determina o que um homem é, mas sim o caráter e a vontade de fazer o bem.

O seu pedido de aposentadoria feito em (30/05/2014) deixa todos os brasileiros e afrodescendente tristes, pois perderemos nosso representante nesta corte de políticos individualistas e que pensam somente em seus grupos.

Infelizmente, em um país onde os cargos mais importantes são loteados entre os partidos, para que seus interesses sejam mantidos, quem perde com a saída de Joaquim Barbosa e o povo.



domingo, 16 de setembro de 2012

A educação nas colônias africanas de língua portuguesa.


Quanto vejo a forma pela qual a educação no Brasil e tratada, com descaso  e desrespeito aos profissionais e alunos, me pergunto se no resto do mundo é assim. Na África, continente que sofreu tanto com a colonização e a exploração, como será a educação. Nesta última semana pesquisei o assunto, como recorte, utilizei apenas as colônias africanas de língua portuguesa, para facilitar as consultas.

Para minha surpresa, vi que nesses países e educação e tão negligenciada como no Brasil. Consultei os sites dos jornais dos seguintes países: Angola (jornal o País), Moçambique (O país online), Guine Bissau (Gazeta de notícias) e Ilha da madeira (Diário de notícias). O que me chamou a atenção em todos os jornais foi à falta de notícias sobre o assunto, muitas das matérias publicas, tem quase dois anos.

Esses países são controlados por movimentos de libertação que levaram seus respectivos países a independência na segunda metade do século XX.  Em Angola temos o MPLA, em Guine-Bissau o PAIGC, em Moçambique o FRELIMO e na Ilha da Madeira o PSD. Entre esses países, Guine e Madeira vivem um crise política, e Angola e comandada pelo mesmo presidente desde 1979, não muito diferente da Madeira, onde o Sr. Alberto João Jardi, comanda o país desde 1978.

Ambos países vivem uma crise na educação, com falta de locais apropriados para lecionar, como é o caso de Moçambique, onde as crianças estudam em um terreno a céu aberto. Em Guine-Bissau o Ministro culpa os professores, por apostarem no fiasco na educação, o Ministro Artur Silva, diz que daqui a 12 anos o país terá uma melhora significativa na educação. Na Ilha da  Madeira, o governo e acusado de acabar com escolas e alterar o programas curriculares para reduzir custo com professores, já em Angola, o governo tem alterado as matriculas de alunos que chegam a adolescência, pondo esses  aluno para estudar a noite, segundo o ministra da educação, essa medida foi necessária para aumentar o número de vagas e atender a demanda, os pedagogos não concordam, argumentam que tal  medida pode prejudicar o aprendizado do aluno.

Podemos notar que todos os casos apontados também são recorrentes no Brasil. Talvez o tema precise de um estudo mais aprofundado, mas podemos comparar que nesses países assim como no Brasil, a colonização foi de exploração, não tendo um investimento no desenvolvimento do país ou da sociedade que neles viviam.  Toda produção servia para atender a metrópole e os colonos que viam morar aqui, faziam apenas na intenção de enriquecer e voltar a sua terra natal.

Além de unificara língua, é preciso criar ferramentas para que ambos sejam favorecido por um desenvolvimento social, permitindo a sua sociedade, os direitos básicos negados por séculos.  

sábado, 8 de setembro de 2012

Uma vergonha para o Brasil!


No mês passado, o jornal New York Time, publicou uma reportagem sobre o vinculo Brasil/África, manchete  de primeira capa. No texto, o jornal analisa o interesse do Brasil no continente africano. Conforme levantamento o governo brasileiro teve um crescimento considerável de investimento no continente, que saltou de 4 bilhões em 2002 para 28 bilhões em 2011.

Esses investimentos, ao contrário do que faz países como Cuba, onde o dinheiro e destinado a melhorias no desenvolvimento do país, no caso brasileiro, esses investimentos são destinados a ajudar industrias brasileiras, que pretendem explorar o continente, é caso de empresas como Odebrecht, Vale e banco BGT que estão atuando em Moçambique e Angola.

Apesar da matéria do New York não citar em seu texto, muitas empresas brasileiras estão envolvidas diretamente em esquemas de corrupção e enriquecimentos ilícitos. O interesse é tão significativo que o Brasil tem atualmente 36 embaixadores na África. Tendo inclusive acordos militares fechados com alguns países, como é o caso de Angola, que fará um treinamento militar no Brasil.

Não podemos esquecer que o Brasil é o país com maior número de afrodescendentes no mundo. Será que esses investimentos, são como diz o governo brasileiro, para ajudar no desenvolvimento do países africanos, ou nosso país visa uma zona de influência. 


O jornal aponta também para o tratamento que esses africanos vem recebendo no Brasil, expondo o caso de estudante de Moçambique que foi abordado por policiais cariocas que nem sabiam que seu país existia. Em São Paulo por exemplo, é muito comum os africanos serem discriminados, principalmente nigerianos, que sempre são associados ao tráfico de drogas.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O ensino da história da África.


Sou professor de história na rede Estadual de São Paulo, desde que iniciei na rede procuro mostrar aos meus alunos a importância do conhecimento do continente africano em todas as suas esferas: geografia, ciências, línguas, artes e história.  Confesso que não é fácil, muitas barreiras devem ser rompidas e ultrapassadas, principalmente na questão religiosa, ponto chave das aulas. Quando falamos em África, um assunto e fato, a religião, em todas as etnias africanas a questão religiosa mistura-se com os demais assuntos, em um país católico como o Brasil, falar de outras religiões não é tarefa fácil

Percebi que os alunos possuem uma curiosidade muito grande sobre o tema, perguntam bastante gostam das aulas, pedem informações. Muitos deles desconsideram toda complexidade por trás dessa questão. Ignoram completamente que o Brasil foi formado por essa matriz maravilhosa, que grande parte de nosso arcabouço cultural vem da África. A visão geral que muitos dos alunos tem até esse momento e de que o negro não contribui com a formação do Brasil, seu papel de escravo não permitiu a construção de uma cultura brasileira. E que por isso, ao logo do processo foram sendo aculturados pelo branco. 

Um exemplo! perguntem para qualquer criança, o que vocês sabem sobre a escravidão, a resposta será unanime: que o negro era escravo, apanhava dos senhores e praticava a macumba. Para as crianças, os adolescentes e também para a maioria dos adultos, a escravidão está resumida ao trabalho escravo do negro, eles desconhecem a história, não sabem que na mesopotâmia, Egito, e outros povos, o branco também foi escravo. Quando comento sobre esse assunto eles ficam admirados. Pois mesmo neste período histórico, muitos acreditam que o negro já era escravo. Logico, que muito dessa imagem foi passada por filmes e novelas que relegam ao negro, sempre, o papel de escravo. 

Enquanto o negro no Brasil for retratado como um eterno escravo, sua cultura e sua religião será sempre a macumba. Alias, primeiro ponto que devemos trabalhar, desmistificar que o termo macumba refere-se à magia negra, o termo é usado em várias etnias africanas, mas sempre com denotação positiva, cura é um dos significados que podemos apontar.

Outro ponto que podemos mostrar e o sincretismo. Costumo contar a lenda dos bejins, e de como eles engaram a morte, recebendo de seu povo o título de orixá. Conto também a história de Cosme e Damião, no final ligo os dois contos, apontando o motivo pela qual esses orixás e os demais tiveram que ser comparados aos Santos Católicos. 

Logico, que uma sala de 40 alunos, sendo 30 católicos e os demais evangélicos muitas vezes o questionamento tende a ser a discriminação, porém fico feliz em ver que mais da metade fica empolgada pelo assunto, e um terço desses alunos me param no corredor para tirar dúvidas ou fazer questionamentos. Isso mostra que a semente foi plantada, e que logo mais irá florescer. A história afro-brasileira foi negligenciada por séculos nas escolas brasileiras, que sempre optaram pelo viés europeu.

O reconhecimento da história africana como elemento construtor da história nacional foi uma luta dos movimentos negros. Desde a abolição esses movimentos lutaram para ter sua história, identidade e religião reconhecidos e ensinados. Agora, nossa missão e mostrar aos alunos a importância desse reconhecimento. Sei que o resultado não será rápido, mais acredito que a médio prazo teremos uma sociedade menos racista e aberta às suas raízes. 

sábado, 2 de junho de 2012

Magia negra ou trafico de órgãos?


               No dia 27/05/2012 o programa da rede Record, domingo espetacular, mostrou uma reportagem feita em Uganda, em sua matéria a emissora vinculou o desaparecimento de crianças as praticas de magia negra. È inaceitável o que foi visto no vídeo. A todo o momento o reporter olhava as praticas dos rituais realizados por “bruxos (as)” com discredo, em determinado momento, enquanto a curandeira atendia a um cliente e fazia o sacrifício de uma galinha, o reporter afirmou que muitas vezes esses sacrifícios são feitos com crianças.
                Será que é verdade? O crescimento econômico de Ugando, país localizado na África Oriental, está vinculado a sacrifícios humanos? Tem um lado que a Record não mostrou,  o trafico de órgãos, cadê? Sim, existem quadrilhas organizadas agindo na África, já há algum tempo, por exemplo, em 2007 uma rede de tráficos de órgãos e seres humanos foi identificada em Moçambique e na África do Sul. Após vários meses de investigação a quadrilha foi identificada, porém, eles não foram presos, sabem por quê? Nesses países não há legislação especifica para este tipo de crime, que em muitas vezes, são justificados ou disfarçados pelas autoridades locais como praticas religiosas de magia negra.
                A pratica de magia negra envolvendo crianças existe? Claro que sim, em Angola, por exemplo, os povos Imbangalas usavam uma pasta em seu corpo feito de crianças, conta à história que uma feiticeira teria criado esse pratica.
                Acredito que em Uganda alguns feiticeiros utilizem dessas praticas, porém a forma como a reportagem foi feita e extremamente duvidosa, todas as praticas mostradas são comuns, acontecem inclusive no Brasil, se quiser confirmar pasta ir até um candomblé, nesses terreiros, também utilizam sacrifícios de animais (não de crianças), banhos com ervas para limpeza do corpo, rezas, etc.
                Como você acha que surgiu a pratica da simpatia, que muitas vezes também utilizam de métodos não ortodoxos para serem realizadas, pratica realizadas por cristãos como forma de curar uma doença, conseguir um emprego é até mesmo casar.
                Por conta disso deixo uma pergunta, será que a Record mostrou tudo? Ou somente a parte que podia trazer ibope.